Texto de Gustavo Aguiar, publicado originalmente no LinkedIn (link do post original)
Uma rede de ativistas culturais tem criado um circuito de festivais e festividades para fortalecer na região iniciativas que mantêm viva a cultura amazônica e a ancestralidade.
O Instituto Rede Cultura em Movimento, encabeçado por Geovane Máximo e Rebeca Marcos, tem conectado experiências de gestão de projetos e leis de incentivos com manifestações centenárias como a da Irmandade de Carimbó de São Benedito de Santarém Novo, que acontece há 200 anos. Ao mesmo tempo que tem sido rede de apoio para jovens produtores e artistas que enfrentam a lógica política de acesso à cultura e entretenimento em seus municípios para ampliar o acesso à repertório: pautando artistas da região e reverberando diversidade de gênero, corpos e filosofias. Isso é transformador.
No último sábado, tive a felicidade de atravessar o país, do Rio de Janeiro até o município de Capanema no Pará, para conhecer iniciativas culturais transformadoras nas histórias de seus territórios e compartilhar o conteúdo do curso “Decolonizando Marcas” para apoiá-los a construir seus próprios métodos de comunicação.
Conheci desde projetos de contação de histórias de lendas próprias dos municípios para crianças da zona rural e das periferias; passando por uma Cypher que celebra a cultura do hip hop em zonas litorâneas como Salinópolis, oferecendo espaço de diálogo com crianças em vulnerabilidade e vítimas de violência doméstica; até festivais independentes que oferecem para jovens e adolescentes a possibilidade de auto expressão.
Pude ver, de perto, a potência das estratégias culturais na formação cidadã, no apoio emocional de jovens, no resgate de crianças e adolescentes de situações vulneráveis e no fortalecimento de manifestações ancestrais que registram a resistência negra e indígena apesar da colonização.
Sem dúvida, uma grande oportunidade para marcas que utilizam a cultura como estratégia para ajudar a fortalecer essa rede e criar conexões íntimas com a população dessas cidades: Capanema, Bragança, Santarém Novo, Quatipuru, Capitão Poço, Salinópolis, entre muitas.
Um grande salve à Rede e a todos os fazedores de cultura do nordeste paraense. Eu, como Ouremense, nascido em uma cidade que faz parte dessa região, pude me sentir realizado em compartilhar ideias, processos, tecnologias mas, principalmente, visão e coragem para fortalecer o corre de cada um desses sonhadores e guerreiros que resistem à colonização moderna.